domingo, 13 de março de 2011

Revolução feminista no Oriente médio

A REVOLUÇÃO FEMINISTA NO ORIENTE MÉDIO

Entre os estereótipos dos países muçulmanos mais habituais no Ocidente encontram-se os relativos às mulheres muçulmanas: crédulas, cobertas com véus, submissas, exóticas e caladas, integrantes de haréns imaginários e encerradas em papéis de gênero muito rígidos. E então, onde estavam essas mulheres na Tunísia e no Egito.

Em ambos os países as manifestantes não se pareciam absolutamente com esse estereótipo ocidental: estava na primeira linha da luta e no centro, nas imagens das notícias e nos fóruns do Facebook, inclusive assumindo a liderança. Na praça Tahrir, no Egito, mulheres acompanhadas, algumas acompanhadas de crianças, trabalhavam sem descanso para apoiar os protestos, contribuindo em atividades de segurança, comunicações ou abrigo. Muitos comentaristas atribuíam o grande número de mulheres e crianças ao caráter pacífico dos manifestantes em geral diante de graves provocações.

Outros repórteres-cidadãos da Praça Tahrir – e praticamente qualquer um que tivesse um telefonema celular poderia sê-lo – assinalavam que as massas de mulheres implicadas nos protestos eram muito diversas do ponto de vista demográfico. Muitas levavam lenços na cabeça e outros sinais de conservadorismo religioso, enquanto outras se deleitavam com a liberdade de beijar um amigo ou fumar um cigarro em público.

Participantes, líderes
Mas as mulheres não só atuavam como trabalhadoras de apoio, o papel habitual a que ficam relegadas nos movimentos de protesto, desde os da década de 1960 até os recentes distúrbios estudantis no Reino Unido. As mulheres egípcias também organizavam, formulavam estratégias e informavam dos acontecimentos. Autoras de blogs como Leil Zahra Mortada assumiram graves riscos para manter o mundo informado diariamente sobre a situação na praça Tahrir e outros lugares.

O papel das mulheres no grande levante do Oriente Médio tem sido muito pouco analisado. As mulheres do Egito não só “se somam” aos protestos, mas tem sido uma força destacada da evolução cultural que as tornou indispensáveis. E o que vale para o caso do Egito, pode se dizer também, em maior ou menor medida, para todo o mundo árabe. Quando as mulheres mudam, tudo muda; e as mulheres do mundo muçulmano estão mudando radicalmente.

A transformação mais importante é educativa. Há duas gerações, somente uma reduzida minoria das filhas da elite recebia formação universitária. Hoje, as mulheres representam mais da metade do número de estudantes nas universidades egípcias. Elas estão se formando para exercer o poder de um modo que suas avós mal poderia imaginar: publicar jornais, como fez Sanaa el Seif desafiando um decreto governamental que exigia a interrupção da atividade; aspirando postos de liderança estudantil; arrecadando fundos para organizações de estudantes ou dirigindo reuniões.

De fato, uma minoria substancial de mulheres jovens do Egito e de outros países árabes passaram seus anos de formação refletindo criticamente em contextos mistos e questionando em público inclusive a professores homens nas aulas. É muito mais fácil tiranizar uma população quando a metade tem uma péssima educação e é trinada para a submissão. Mas, como os ocidentais deveriam saber por sua própria experiência histórica, quando se educa as mulheres é provável que agitação democrática acompanhe a transformação cultural generalizada que se produz.

A natureza dos meios de comunicação social também contribuiu para converter as mulheres em líderes do protesto. Por ter me dedicado durante mais de uma década a ensinar técnicas de liderança para mulheres, sei o quanto difícil é conseguir que se coloquem em pé e tomem a palavra em uma estrutura organizativa hierárquica. Deste modo, as mulheres costumam evitar a figura padrão que, no passado, os protestos tradicionais impuseram a determinados ativistas: quase sempre, a de um jovem exaltado com um megafone na mão.

Projeção de poder
Em semelhantes contextos – um cenário, um foco e um porta-voz – as mulheres evitam os papéis de liderança. Mas os meios de comunicação social, pela própria natureza da tecnologia, modificaram o aspecto e a aparência da liderança atual. O Facebook imita o modo pelo qual muitas mulheres preferem viver a realidade social, onde as relações entre as pessoas são tão importantes quanto o predomínio ou o controle individual, se não mais.

Pode-se ser um líder poderoso no Facebook justamente forjando uma “primeira pessoa do plural” realmente fabulosa. Ou pode-se conservar o mesmo tamanho, conceitualmente, que qualquer outra pessoa em sua página; não é necessário reafirmar o domínio ou a autoridade. A estrutura da interface do Facebook cria o que – em que pese 30 anos de pressão feminista – as instituições de cimento e tijolo não conseguiram gerar: um contexto no qual a capacidade das mulheres para forjar um “nós” poderoso e envolver-se na liderança a serviço dos demais possa promover a causa da liberdade e da justiça em todo o mundo.

Logicamente, o Facebook não pode reduzir os riscos dos protestos. Mas, por mais violento que possa ser o futuro no Oriente Médio, o registro histórico do que ocorre quando as mulheres que receberam educação participam de movimentos libertadores faz pensar que chegou ao fim a era daqueles que gostariam de manter um regime de punho de ferro na região.

Quando a França iniciou sua revolução em 1789, Mary Wollstonecraft, que foi testemunha inesperada dela, escreveu seu manifesto em favor da libertação das mulheres. Depois que as mulheres norte-americanas, que tinham recebido educação, contribuíram para a luta pela abolição da escravidão, elas introduziram na agenda o sufrágio feminino. Depois que disseram na década de 1960 que a “única posição para as mulheres é a horizontal”, criaram o feminismo de “segunda geração”: um movimento nascido das novas habilidades e das velhas frustrações das mulheres.

Uma e outra vez, quando as mulheres travaram as demais batalhas de seu tempo pela liberdade, passaram a defender seus próprios direitos. E como o feminismo é uma prolongação lógica da democracia, os déspotas do Oriente Médio enfrentam uma situação na qual será quase impossível obrigar a estas mulheres que despertaram a deter a luta pela liberdade, a sua própria luta e a de suas comunidades.

(*) Naomi Wolf é ativista política e crítica social; seu livro mais recente é “Give Me Liberty: A Handbook for American Revolutionaries”.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Parabéns Iramaia


PARABÉNS IRAMAIA
Em 26 de janeiro de 1960 Iramaia deixa de ser um distrito de Barra da Estiva, sendo alçada à condição de cidade, isto é foi emancipada através da lei nº 959/57 assinada pelo então governador da Bahia Juracy Magalhães.
A emancipação da cidade se deu devido a luta de Olito Dias um incansável pioneiro que projetou e rendeu seus esforços pela autonomia política da cidade.
Emancipar-se quer dizer ter autonomia para tomar decisões próprias, inclusive para escolher seus governantes; fato que só se concretizou 1962 com as eleições para prefeito e vereadores, assim a cidade conquistava o direito de projetar seu desenvolvimento , instituir suas políticas.
Essa época foi marcada pela ação original de alguns, foram os desbravadores os pioneiros que implantaram os primeiros comércios como é o caso de Felipe Novaes que chegou com a família em 1961, outros que assumiram cargos públicos como Olito Dias que se elegeu o primeiro Prefeito , Solano , Wilson Rangel e Lecusson Gomes
A sorte estava lançada agora com status de cidade cabia aos novos cidadãos homens e mulheres iramaenses, o desafio de criar as condições para arquitetar seus destinos, projetar a cidade e forjar um futuro promissor para seus cidadãos.
Passados 51 anos muitos deixaram marcas positivas e cravaram seus nomes na historia da cidade
Alguns tiveram visão de futuro e dotaram a cidade de infra estrutura básica para seu desenvolvimento como a atração de investimentos públicos e privados, como linha de transporte coletivo Bancos e Escolas conveniadas, enfim existia na mente dos gestores um projeto de cidade, algo que foi se perdendo ao longo dos tempos.
Nos últimos tempos, fomos perdendo, aos poucos a crença em nos mesmos e em nossa capacidade de avançar como cidade, muitos dizem que a solução para Iramaia é a migração , ou seja , a saída, não acreditam mais em uma mudança de destino.
Quantos já foram embora? Desistiram de lutar? Perdemos pessoas brilhantes pela simples falta de incentivo e oportunidade, mesmo assim presenciamos ao longo do tempo o surgimento de jovens talentos, educadores, músicos forjados nesse rincão. O que nos falta exatamente é o que havia de sobra nos primeiros moradores, bem como nos primeiros gestores, é acreditar que podemos construir aqui, um lugar bom para viver
Feito esse retrospecto, hoje 26 de janeiro de 2011 , passados 51 anos , uma pergunta circunda a mente e os corações dos iramaienses. O que a cidade tem a comemorar nesse 26 de janeiro de 2011?
Bem, fazer aniversário é celebrar a vida, é refletir sobre o tempo passado e acima de tudo é ter esperança no tempo futuro. Sendo assim, PARABÉNS IRAMAIA.


Elizabete Gonçalves
Pedagoga
Iramaia - Bahia

terça-feira, 6 de abril de 2010

Mudar é necessario

"Não é possível dizer-te sempre coisas novas, nem te é necessário ouvi-las. O que importa é que sejas sempre novo, que te desprendas cada dia do homem-velho, e que cada dia tornes a nascer,
a crescer e a progredir." (Santo Agostinho)

segunda-feira, 8 de março de 2010




Uma vida, tantas Histórias...
Elizabete Gonçalves de Souza

As origens
Nasci numa pequena povoado do município de Itaite, onde fiz o curso primário. A escola, via de regra era aquela onde a professora anotava os assuntos no quadro e todos copiavam. Não me lembro de ter aprendido muito com a professora, mas me lembro que eu, ainda pequena antes de terminar a quarta serie, já era professora de uma colega “grandona” chamada Maria. Sentia muito prazer em ensinar Maria as atividades propostas pela nossa professora, movida pelo desejo de ensinar Maria, eu aprendia mais.
Um dia encontrei no armário da Escola um livro de historia infantil que contava uma historia de monstros do fundo do mar “carreguei” o livro prá casa(era proibido mexer nas coisas do armario) e li uma centena de vezes aquela historia maravilhosa. Ali nascia o meu amor pela leitura e pelo conhecimento.
Para continuar os estudos precisamos nos locomover para uma cidade próxima, chamada Rumo, que oferecia o curso de 5ª a 8ª serie, sempre fui uma aluna aplicada, mas fugia do perfil de boazinha, era irrequieta, curiosa, contestadora. Gostava de promover festas no dia das mães, na Páscoa fazia quebra pote, pau -de – cebo aniversario de boneca, tudo com o objetivo de reunir gente e ver a movimentação das pessoas.
Mais uma vez tive que mudar de cidade para continuar os estudos, dessa vez fomos todos, eu minha família, morar em Iramaia para que pudesse fazer o magistério.

A carreira
Comecei a trabalhar muito cedo, antes de terminar o ensino médio já atuava como professora alfabetizadora, terminei o curso do magistério em 1986 e em 1991 iniciei efetivamente minha carreira docente, prestei concurso para professora da rede estadual de ensino fui aprovada em primeiro lugar no concurso da SEC. Então a escolha do curso de Pedagogia, se deve a esse envolvimento que eu já tinha com a educação.
Quando iniciei minha pratica docente como professora alfabetizadora eu agia na sala baseada nas leituras que fazia e essencialmente guiada por uma vontade enorme acertar, de contribuir com a educação daquelas crianças. Não havia um referencial teórico que dessa sustentação a essa pratica, eu lia muito queria inovar. O construtivismo estava na moda e eu abracei essa filosofia de ensino e alfabetizava meus alunos de 6 anos usando rótulos, sucatas, contagem com pedrinhas e sementes, enfim, tudo que aproximava o aluno do conhecimento.

Pedagogia, por que?
Em 2005 prestei o vestibular na UESB, movida por um desejo enorme de aprender sobre os fundamentos e bases teóricas da educação. Considero que o curso atendeu em parte essa demanda, pois cada vez que aprendemos sobre algo , mais temos a aprender, é um circulo virtuoso que não se fecha nunca, entretanto, a distancia entre o que se discute na universidade e a realidade da sala de aula, é gritante.
Historia da Educação e Sociologia, formam as disciplinas que mais me trouxeram respostas sobre os questionamentos que tinha quando ingressei na universidade. As discussões em sala de aula com os colegas e as professoras Lelea Amaral e Elenice Ferreira foram importantes para a compreensão que tenho hoje de educação e sociedade. Depois desse aprendizado passei a ver a educação como um fenômeno histórico e social por isso, escolhi como meu objeto de pesquisa monográfica as teorias de Paulo Freire.
Segundo Paulo Freire (1996), educação é um instrumento de emancipação do homem é uma forma de interferência no mundo, concordo plenamente com essa forma de pensar a educação, entendo que a educação pensada e realizada de forma ampla, não apenas como educação escolar, pode ser um fator de resolução das problemáticas sociais que nos afeta atualmente.

Grécia, Roma, Canudos, Coluna Prestes isso é História...
Além da graduação em pedagogia, estou me graduando também em História pela PUC através do programa PROFORMAÇÃO oferecido pelo governo do Estado, essa era uma área do meu interesse e de minha atuação no magistério, acho fascinante compreender o percurso realizado pela humanidade até nossos tempos, estudar Historia me traz essa possibilidade. A conclusão do curso está prevista para dezembro 2010.









A militância política

Desde os tempos de estudante secundarista, me vi preocupada com a qualidade da educação oferecida, implementei junto com colegas ações de mutirão para limpeza as escola, realizamos campanhas para comprar equipamentos necessários para a escola, em fim havia em mim uma vontade e uma necessidade de produzir o bem coletivo e isso eu chamo de política . tendo em vista esse ideal eu tenho me dedicado a atividade político partidária, sou filiada ao PT e concorri as eleições de 2008 como vice prefeita.


Educação hoje
Depois de atuar como professora alfabetizadora, atuar de 1ª a 4ª serie , estou atuando como gestora de um Colégio de nível médio, pretendo me dedicar as pesquisas na área de Historia e continuar na docência no ensino médio e no ensino superior, quem sabe na UESB?

A Família
No meio de toda essa ebulição trabalho, estudo, duas faculdades, duas residencias, encontrei tempo para o amor. Tenho uma família maravilhosa o combustível e o sentido da minha luta.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Onde está Paulo Freire?


Não está na desesperança do aluno
Não está na acomodação do professor
Não está
Na omissão
Na ingenuidade
Na neutralidade
Não está na submissão
Na bajulação
Na opressão

Também não está
Na reprovação
Na competição
Na cultura livresca
No projeto padrão

Paulo não está no autoritarismo
No silêncio
No fatalismo
Cadê Paulo Freire?

Ao contrário de desesperança
Paulo é utopia e crença
É intencionalidade e transformação
É vida, é pão
É Maria, é João
Casa, tijolo e fogão
É protagonismo, participação, é sujeito

Paulo é humanista, é dialética e ética
Paulo é África, Ásia, América
E Brasil?!!
Paulo é universal e local
Genebra e Jaboatão

Cadê Paulo Freire?
Está na esperança
Na indignação
Na solidariedade
Está na fé no homem
E no amor a eles

Cadê Paulo Freire?
Que pena!
Na ESCOLA ele não está.

(Autora: Elizabete Gonçalves)